O telefone do
gabinete em Bento Ribeiro, subúrbio carioca, toca e o próprio deputado
federal atende. Feita a devida apresentação, ele emenda: “Fala aí, cara,
tudo bem? Pode falar, está uma loucura isso aqui hoje”, diz ele, sem
bateria no celular de tantas chamadas que recebeu após ser o deputado
federal mais votado do Rio de Janeiro (464.572 votos).
Eleito para o
seu sétimo mandato na Câmara dos Deputados, em Brasília, Bolsonaro
conversou com o Terra nesta segunda-feira, um dia após o pleito
nacional. E nesta entrevista, o líder da “bancada da bala” no Congresso
Nacional revela, diante de uma popularidade cada vez maior de uma
direita conservadora, que pretende alçar voos maiores após completar 28
anos como deputado federal: vai aspirar em 2018 a Presidência da
República.
“Eu pretendo
disputar como presidente da República. Se o meu partido não sinalizar
para isso, eu vejo para onde eu posso ir. A direita tem cara, tem voto,
tem vergonha na cara”, disse o líder do PP no Rio, que ainda conseguiu
eleger o filho, Eduardo, por São Paulo, para ser seu companheiro de
Congresso. Na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, seu outro filho,
Flávio, se reelegeu deputado estadual – foi o terceiro mais votado.
“Eu fiz uma
campanha com R$ 200 mil, com uma equipe de 20 pessoas, com amigos. Eu
não tenho líder comunitário comigo. Não tenho um cargo indicado,
sindicato, não tenho nada. Não tenho nicho nenhum. Essa é a minha
origem”, afirmou. "Quem não gosta de mim, não gosta. Não posso agradar a
todos e nem quero. Minhas bandeiras continuarão sendo as mesmas”.
As tais
bandeiras são as que políticos da ala conservadora, que brigam, como
costumam dizer, “pelo direito da família”, defendem, como ser contra o
desarmamento, a união civil entre pessoas do mesmo sexo, legalização da
maconha e manutenção da maioridade penal em 18 anos de idade.
“A política de
cotas é uma mentira e estimula o racismo”, diz ainda. Não quero ser
profeta, mas se der a Dilma (no segundo turno) vocês vão ver o que vai
ser o Marco Civil da internet. Eles querem dominar a internet e vocês,
jornalistas, vão ser essa válvula de escape. Os cubanos vão ficar com
inveja”, ironizou sobre o controle do governo que ele apregoa acontecer.
Militar de
carreira, Bolsonaro também defende o fim da Comissão Nacional da
Verdade, que investiga casos de tortura e morte na ditadura – ele, como
sempre diz, considera a Revolução de 64. "Nós, militares, costumamos
dizer que eles (membros da comissão) não têm coerência. Ela (presidente
Dilma) faz uma comissão onde ela escolhe a dedo as pessoas. É uma
vergonha isso tudo. Uma vergonha ´dada as condições´", vocifera, antes
de emendar mais uma frase venenosa: “eu considero a Comissão da Verdade
como uma cafetina”.
Diante da
indagação da reportagem sobre o porquê de tal “adjetivo”, ele explica:
“é como se uma prostituta e cafetina decidisse que queria escrever um
livro, escolhe sete prostitutas e no final ela escreve. É uma força de
expressão, é uma comparação, mas não deixa de ser verdade”.
Em seu discurso
fica claro ainda que ele espera atingir principalmente o eleitorado
anti-petista. “A Petrobras tem que ser ‘despetizada’. Só tem petista da
ociosidade e do sindicalismo. Vão querer inviabilizar o governo
destruindo o trabalho do processo. É por isso que o PT desarmou o povo.
Eu defendo o amplo direito a defesa, como do Estado totalitário. O PT
tem medo de uma revolução popular”, finalizou. (Terra)
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