quarta-feira, 26 de março de 2014

Reparem nessa doença e cuidado com a água



Banhistas dizem ter pego 'bicho 



geográfico' na Ilha do Rodeadouro


Dermatologista disse que atendeu cinco casos na semana passada.
Uma ação será feita pela vigilância sanitária de Juazeiro e Petrolina

Juliane PeixinhoDo G1 Petrolina

Larva é conhecida por criar 'mapas' no corpo humano (Foto: Felipe Silva de Oliveira / Arquivo pessoal)Larva é conhecida por criar 'mapas' no corpo humano (Foto: Felipe Silva de Oliveira / Arquivo pessoal)
Banhistas que frequentaram a Ilha do Rodeadouro, entre a cidade baiana de Juazeiro e Petrolina, no Sertão pernambucano, afirmam terem sido contaminados com a ‘larva migrans’ também conhecida como bicho geográfico. Os casos não foram notificados à Secretaria Municipal de Saúde. Entretanto, mais de dez pessoas já relataram contrair a doença depois de terem tido contato com a areia da ilha.
O estudante Felipe Silva, de 23 anos, conta que esteve na Ilha do Rodeadouro no dia 1º de março e que ficou na área do lado pernambucano. Ele afirma que em alguns momentos seus pés tiveram contato com a areia e quando chegou em casa começou a sentir coceira e surgiram bolhas nos dois pés.
“Quando acordei tinham várias bolhas no meu pé. Elas incharam, fiquei quase sem caminhar e eu tive que procurar o atendimento na UPAE. O médico diagnosticou que era um caso de larva migrans. Hoje, com mais de 20 dias, as bolhas já secaram e estão escurecidas, mas não estou totalmente curado, ainda incomoda”, explica.
A auxiliar administrativa, Thallyta Keure, disse que fequentou o Rodeadouro e também foi infectada nos pés. “Fui no domingo passear na ilha e andei descalça por lá.  Na terça-feira meu pé começou a coçar e criar umas bolhas. Eu já passei por vários médicos e não tive melhora. Eu sinto o parasita andar pelo meu pé e não sei o que faço para sarar”, conta preocupada.
Banhistas acreditam que o contágio aconteceu na Ilha do Rodeadouro (Foto: Felipe Silva de Oliveira / Arquivo pessoal)Banhistas acreditam que o contágio aconteceu na
Ilha do Rodeadouro
(Foto: Felipe Silva de Oliveira / Arquivo pessoal)
O dermatologista Itamar Santos explica que a 'larva migrans' é causada por um parasita que está presente nas fezes de cachorros e gatos. A contaminação acontece quando o ser humano pisa nos dejetos. Quando a larva entra em contato com a pele, ele começa a se locomover como forma de sair do ser humano, provocando bolhas, ardência, coceira.
Segundo Itamar, a indicação é procurar um médico para fazer o tratamento, que depende da extensão do local e idade do paciente afetado. “Pode ser colocado gelo, para diminuie a coceira e ajudar a matar o parasita. Também deve ser feito, com indicação médica, o uso de pomadas e remédios para verme”.
No seu consultório, Itamar já atendeu na semana passada cinco pessoas com a larva migrans. “Eu atendi uma paciente que é de Petrolina e mora nos Estados Unidos. Ela veio com a família visitar a ilha semana passada e foi contaminada. Pegou nos dois pés e está fazendo tratamento”.
Qualquer local do corpo pode ser contaminado pelo parasita, basta ter contato com a larva. A doença atinge apenas a pele, mas podem surgir complicações como infecções. A cura sem medicação dura em média 30 dias e com tratamento cerca de três.
Para Itamar, o ideal é fazer o tratamento dos cachorros e gatos e durante a ação do vermífugo isolar o local, possivelmente a ação dura três dias. 
A assessoria de comunicação da Secretaria Municipal de Saúde informou ao G1 que nesta terça-feira (25) será realizada uma ação na Ilha do Rodeadouro. A Agencia Municipal de Vigilância Sanitária e Centro de Zoonoses de Petrolina, além da Vigilância Sanitária de Juazeiro, BA, vão fiscalizar e capturar os animais. Também será feita a conscientização das pessoas em relação as larvas que causam a doença.
A Vigilância Sanitária de Petrolina não informou o número de casos e qual será o tratamento que será feito no local, bem como se o isolamento da ilha será necessário.

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