A barbárie, no Brasil, não tem lugar nem rosto. Atinge quase todos os estados, está nas redes sociais e já vitimou mais de 50 pessoas no 1º semestre de 2014. A epidemia de linchamentos tem explicação?Reportagem: Rosanne D'Agostino / Ilustrações: Dalton Soares
É do professor de história André Luiz Ribeiro, 27, o mais recente relato sobre uma onda de violência baseada na intolerância que persiste no Brasil em 2014.
Confundido com um ladrão em São Paulo, ele foi espancado e só conseguiu escapar depois de dar aula sobre Revolução Francesa a um dos bombeiros que o resgataram.
Da postagem no Facebook da foto de um adolescente negro acorrentado a um poste no Rio de Janeiro até a morte da dona-de-casa Fabiane Maria de Jesus no Guarujá (SP), foram mais de 50 casos neste ano.
São aprisionamentos, espancamentos coletivos e cenas bárbaras que já fizeram vítimas em quase todos os estados do país, contando apenas os noticiados –não há estatística criminal sobre linchamentos no Brasil.
Mais três linchamentos foram noticiados em julho, em São Paulo e no Piauí. Uma das vítimas foi o professor André, que dá aula de História para cerca de 230 alunos em uma escola pública na periferia da capital paulista.
Apontado como ladrão, acorrentado e brutalmente espancado por dezenas de pessoas, André relatou ao G1 que o dono do bar assaltado já tinha mandado o filho buscar um facão quando os bombeiros chegaram.
Eu disse que era professor, que estava ali por acaso. Aí um dos bombeiros falou para dar uma aula sobre Revolução Francesa. Foi o que me salvou.”
Só depois de explicar sobre a ascensão da burguesia é que o levaram ao hospital, diz. “Foi algo surreal. Só acreditamos quando chega próximo de nós. Aí você vê que é muito real mesmo, esse ódio das pessoas. Essa brutalidade do ser humano.”
Mesmo assim, foi preso e está em liberdade provisória, já que o dono do bar não retirou a queixa. “Eu estou bem melhor, mas a ferida na alma, a inocência, está perdida.”

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