Caseiro e viúva de Malhães são ouvidos pela polícia do Rio de novo
Coronel foi morto a tiros na (24) em seu sítio em Nova Iguaçu, na Baixada.
Militar admitiu ter participado de torturas na ditadura.
A viúva do coronel Paulo Malhães, Cristina Batista Malhães, e o caseiro do sítio onde ele foi assassinado, Rogério Pires, foram ouvidos formalmente pela polícia na tarde desta segunda-feira (28). Paulo Malhães foi morto dia 24 em seu sítio em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.
Segundo o delegado Marcus Maia, titular da Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), já foram ouvidos dois filhos do coronel Paulo Malhães. Um deles neste domingo (27) e outro na manha desta segunda. Além disso, a polícia busca imagens de câmeras de segurança da região para serem analisadas.
O caseiro e a viúva do coronel Malhaes são a principal fonte de informação da polícia. Segundo Maia, a polícia segue na rua produzindo dados e recebendo informações pelo disque-denúncia. O depoimento de dois dos cinco filhos também trouxe informações sobre a vida do coronel.
O caseiro e a viúva do coronel Malhaes são a principal fonte de informação da polícia. Segundo Maia, a polícia segue na rua produzindo dados e recebendo informações pelo disque-denúncia. O depoimento de dois dos cinco filhos também trouxe informações sobre a vida do coronel.
Com base nos depoimentos da viúva do coronel e do caseiro do sítio do casal, a Polícia Civil irá confeccionar o retrato falado dos homens suspeitos de invadirem a propriedade. A informação foi divulgada no fim da tarde deste sábado (26) pelo delegado adjunto da Divisão de Homicídios da Baixada, William Pena Júnior, após equipe da unidade realizar uma perícia complementar no local.
Perfil do coronel
A polícia disse que com os depoimentos está traçando um perfildo coronel. "Estamos trabalhando para criar uma rotina de vida dele, de desafetos, vizinhos". Maia disse que com o que a polícia colheu até agora é possível dizer que Malhães era uma pessoa reclusa, até pelo local que vivia. "É uma micelânea.Tem pessoas que falam que ele tinha um problema de relacionamento social mas tem também quem disse que ele ajudava vizinhos a pagar dívidas e era um cara solícito".
O delegado disse que a linha de investigação da polícia ainda é latrocínio (roubo seguido de morte), vingança e queima de arquivo. "As coisas caminham para o latrocínio mas não é a principal linha".
Segundo ele, a o laudo cadavérico vai ajudar a tirar as dúvidas sobre a causa morte do coronel. "A gente quer ser preciso e técnico", disse
Invasão ao sítio
Conforme depoimento prestado pela viúva Cristina Batista Malhães à polícia, pelo menos três homens, um deles com o rosto coberto, invadiram o sítio na tarde de quinta-feira (24). Ela disse que a invasão ocorreu por volta das 13h e que até as 22h ela e o caseiro foram mantidos reféns em cômodos separados. Os criminosos fugiram levando armas que o oficial colecionava e dois computadores.
O coronel foi encontrado morto depois que os invasores deixaram a propriedade. O delegado William Pena Júnior destacou neste sábado (26) que a principal linha de investigação é de latrocínio (roubo seguido de morte). Porém, destacou que não são descartadas as hipóteses de vingança e queima de arquivo apontadas na sexta-feira (25) pelo delegado adjunto Fabio Salvaretti, também da Divisão de Homicídios (DH) da Baixada Fluminense.
Ainda segundo o delegado William Pena Júnior, a polícia desconhece informações que apontem possíveis ameaças sofridas pelo coronel Malhães antes de ser encontrado morto. Há cerca de um mês, ele havia admitido na Comissão Nacional da Verdade que participou de torturas e desaparecimentos durante a ditadura, inclusive o do ex-deputado Rubens Paiva.
A polícia disse que com os depoimentos está traçando um perfildo coronel. "Estamos trabalhando para criar uma rotina de vida dele, de desafetos, vizinhos". Maia disse que com o que a polícia colheu até agora é possível dizer que Malhães era uma pessoa reclusa, até pelo local que vivia. "É uma micelânea.Tem pessoas que falam que ele tinha um problema de relacionamento social mas tem também quem disse que ele ajudava vizinhos a pagar dívidas e era um cara solícito".
O delegado disse que a linha de investigação da polícia ainda é latrocínio (roubo seguido de morte), vingança e queima de arquivo. "As coisas caminham para o latrocínio mas não é a principal linha".
Segundo ele, a o laudo cadavérico vai ajudar a tirar as dúvidas sobre a causa morte do coronel. "A gente quer ser preciso e técnico", disse
Invasão ao sítio
Conforme depoimento prestado pela viúva Cristina Batista Malhães à polícia, pelo menos três homens, um deles com o rosto coberto, invadiram o sítio na tarde de quinta-feira (24). Ela disse que a invasão ocorreu por volta das 13h e que até as 22h ela e o caseiro foram mantidos reféns em cômodos separados. Os criminosos fugiram levando armas que o oficial colecionava e dois computadores.
O coronel foi encontrado morto depois que os invasores deixaram a propriedade. O delegado William Pena Júnior destacou neste sábado (26) que a principal linha de investigação é de latrocínio (roubo seguido de morte). Porém, destacou que não são descartadas as hipóteses de vingança e queima de arquivo apontadas na sexta-feira (25) pelo delegado adjunto Fabio Salvaretti, também da Divisão de Homicídios (DH) da Baixada Fluminense.
Ainda segundo o delegado William Pena Júnior, a polícia desconhece informações que apontem possíveis ameaças sofridas pelo coronel Malhães antes de ser encontrado morto. Há cerca de um mês, ele havia admitido na Comissão Nacional da Verdade que participou de torturas e desaparecimentos durante a ditadura, inclusive o do ex-deputado Rubens Paiva.
Perito diz que morte pode ter sido natural
A guia de sepultamento do corpo do coronel reformado Paulo Malhães, à qual a Globo News teve acesso, informa que ele sofreu edema pulmonar, isquemia do miocárdio e miocardiopatia hipertrófica. De acordo com o perito criminal Mauro Ricart, essa é a causa da morte identificada pelo Instituto Médico-Legal e sugere que Malhães faleceu em decorrência de causas naturais.
A guia de sepultamento do corpo do coronel reformado Paulo Malhães, à qual a Globo News teve acesso, informa que ele sofreu edema pulmonar, isquemia do miocárdio e miocardiopatia hipertrófica. De acordo com o perito criminal Mauro Ricart, essa é a causa da morte identificada pelo Instituto Médico-Legal e sugere que Malhães faleceu em decorrência de causas naturais.
O perito descartou que o ex-coronel tenha morrido de forma violenta. “Se houvessem ferimentos visíveis decorrentes de uma luta, certamente o laudo cadavérico demonstraria isso numa descrição minuciosa”, ressaltou.
Enterro em Nova Iguaçu
O corpo de Paulo Malhães foi enterrado às 15h deste sábado (26) em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. O coronel reformado, de 76 anos, que admitiu ter participado de torturas durante a ditadura militar, foi encontrado morto na sexta-feira (25) no sítio em que morava, no bairro Ipiranga, na zona rural da cidade.
Torturas na ditadura
O crime ocorreu cerca de um mês depois de o militar ter admitido na Comissão Nacional da Verdade que participou de torturas e desaparecimentos durante a ditadura, inclusive o do ex-deputado Rubens Paiva .
O Clube Militar, associação que reúne militares da reserva do Exército, informou que não se pronunciará sobre o caso por não conhecer as circunstâncias da morte do coronel. O chefe de gabinete da presidência da instituição, coronel Figueira Santos, afirmou que o Clube Militar só irá se manifestar se surgir algum "fato novo". O Comando Militar do Leste, no Rio, também informou que não vai comentar o caso, já que as investigações estão a cargo da Polícia Civil.
Comissão da Verdade
Em março, em dois depoimentos diferentes, um à Comissão Estadual da Verdade do Rio, no dia 21, e outro na Comissão Nacional da Verdade, dia 25, Paulo Malhães deu detalhes sobre torturas e desaparecimento de corpos durante a ditadura. Primeiro, declarou ter desaparecido com o corpo do ex-deputado Rubens Paiva, morto em 1971. No segundo momento, voltou atrás e afirmou não lembrar se foi ele que executou a ação.
“Eu só disse [à imprensa] que fui eu porque eu acho uma história muito triste, quando a família leva 38 anos dizendo que quer saber o paradeiro. Eu não sou sentimental, não, mas tenho as minhas crises”, justificou, na época.
Presidente do grupo Tortura Nunca Mais, Victória Grabois, considera que o crime demonstra “perigo” para quem investiga a ditadura. “É estarrecedor o que aconteceu. Espero que o Estado brasileiro tome as medidas cabíveis, acione as polícias estadual e Federal para apurarem o que realmente aconteceu. Nós, dos direitos humanos, temos que ficar atentos. Se isso aconteceu com um militar, nós estamos passando por muito perigo”, declarou.
Victória teme que as investigações da Comissão da Verdade sejam prejudicadas devido ao assassinato. “A morte do coronel é uma ameaça, porque outros torturadores podem ficar acuados para prestar depoimentos e esclarecimentos sobre o que aconteceu na época da ditadura militar. Temos que abrir os arquivos da ditadura o quanto antes”, disse.
A Polícia Federal informou que não é atribuição do órgão a apuração desse crime.
O corpo de Paulo Malhães foi enterrado às 15h deste sábado (26) em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. O coronel reformado, de 76 anos, que admitiu ter participado de torturas durante a ditadura militar, foi encontrado morto na sexta-feira (25) no sítio em que morava, no bairro Ipiranga, na zona rural da cidade.
Torturas na ditadura
O crime ocorreu cerca de um mês depois de o militar ter admitido na Comissão Nacional da Verdade que participou de torturas e desaparecimentos durante a ditadura, inclusive o do ex-deputado Rubens Paiva .
O Clube Militar, associação que reúne militares da reserva do Exército, informou que não se pronunciará sobre o caso por não conhecer as circunstâncias da morte do coronel. O chefe de gabinete da presidência da instituição, coronel Figueira Santos, afirmou que o Clube Militar só irá se manifestar se surgir algum "fato novo". O Comando Militar do Leste, no Rio, também informou que não vai comentar o caso, já que as investigações estão a cargo da Polícia Civil.
Comissão da Verdade
Em março, em dois depoimentos diferentes, um à Comissão Estadual da Verdade do Rio, no dia 21, e outro na Comissão Nacional da Verdade, dia 25, Paulo Malhães deu detalhes sobre torturas e desaparecimento de corpos durante a ditadura. Primeiro, declarou ter desaparecido com o corpo do ex-deputado Rubens Paiva, morto em 1971. No segundo momento, voltou atrás e afirmou não lembrar se foi ele que executou a ação.
“Eu só disse [à imprensa] que fui eu porque eu acho uma história muito triste, quando a família leva 38 anos dizendo que quer saber o paradeiro. Eu não sou sentimental, não, mas tenho as minhas crises”, justificou, na época.
Presidente do grupo Tortura Nunca Mais, Victória Grabois, considera que o crime demonstra “perigo” para quem investiga a ditadura. “É estarrecedor o que aconteceu. Espero que o Estado brasileiro tome as medidas cabíveis, acione as polícias estadual e Federal para apurarem o que realmente aconteceu. Nós, dos direitos humanos, temos que ficar atentos. Se isso aconteceu com um militar, nós estamos passando por muito perigo”, declarou.
Victória teme que as investigações da Comissão da Verdade sejam prejudicadas devido ao assassinato. “A morte do coronel é uma ameaça, porque outros torturadores podem ficar acuados para prestar depoimentos e esclarecimentos sobre o que aconteceu na época da ditadura militar. Temos que abrir os arquivos da ditadura o quanto antes”, disse.
A Polícia Federal informou que não é atribuição do órgão a apuração desse crime.
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